Foi com pesar que eu soube do falecimento, no último dia 21, aos 97 anos, de Manuel Guerra y Guerra, primeiro goleiro do Galícia. O Sr. Manuel, apesar de não ser muito conhecido da torcida galiciana e não constar oficialmente nos anais da fundação do clube, participou ativamente da criação do Galícia, em 1933, como nos contou seu neto, Rodrigo Bueno, jornalista da Folha de São Paulo e da ESPN Brasil, em uma entrevista concedida ao Granadeiros Azulinos em 2006 (leia aqui a entrevista completa).
Nascido em 16 de junho de 1914, Manuel Guerra chegou a Salvador em 16 de julho de 1931 e, ainda adolescente, trabalhou por vários meses na padaria Paris, o berço do Galícia em 1933, tornando-se amigo dos dirigentes e membros da comunidade espanhola em Salvador, entre eles, Floriano, Lauriano, Ramiro Castro e Barral, colegas com quem lutou pela criação do Granadeiro. Porém, no dia da fundação do clube, teve que trabalhar, por isso não figurou oficialmente como um dos fundadores. No aspecto esportivo, ele foi peça fundamental em um jogo crucial para a formação do time, quando faltavam quatro jogadores para completar os 11. O jovem Manuel foi um dos que completaram o elenco, sendo escalado como goleiro da equipe azulina que foi a campo e venceu aquele primeiro jogo.
Em 1934, mudou-se para São Paulo e perdeu o contato com os antigos companheiros galegos de Salvador. Lá, tornou-se simpatizante do Santos, numa época em que o Peixe ainda não tinha a mística do Rei Pelé. Mas mesmo de longe e com as escassas informações que chegavam da Bahia, continuou tentando acompanhar como podia o Galícia, sua inesquecível paixão. Paixão que transmitiu ao neto Rodrigo, que, mesmo tendo nascido e se criado na capital paulista, sempre nutriu um afeto especial pelo tradicional time da Cruz de Santiago.
Pais de duas filhas, além de ter dois netos, três netas, quatro bisnetos, uma bisneta e uma tataraneta, Seu Manuel sempre foi um grande esportista, além de exímio praticante de damas, xadrez e dominó, chegando a vencer o russo Vladimir Bakumenko, ex-campeão mundial de damas.
A sua partida representa uma grande perda para sua família, assim como para toda a família granadeira, pois é parte integrante da história do clube.
Em sua homenagem, a FBF determinou que se cumprisse um minuto de silêncio nos jogos do Campeonato Baiano do último dia 25/01, em todas as categorias. Além disso, a sua família receberá um presente muito especial: uma bandeira e uma camisa de número 1 do Galícia com o nome “Manuel”, oferecidas pela diretoria do clube, e que serão enviadas pelo torcedor João Paulo Oliveira.
Uma bela homenagem, sem dúvida. Daqui do Granadeiros, enviamos nosso abraço fraterno a Rodrigo Bueno e seus familiares, que tenham muita força para superar esse momento difícil. E nosso agradecimento a Manuel, onde quer que ele esteja, pelo que representou para nosso querido Demolidor de Campeões.

Manuel Guerra y Guerra em uma visita à Galícia, com a sua neta mais velha, Solange, irmã do jornalista Rodrigo Bueno
(Agradecimentos à família de Rodrigo Bueno pelas fotos)
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Pesame a familia do Sr Guerra.
é com todo repeito aos seusfamíliares que venho dar meus sentimentos e essa grande familia uma vez que eu torcedor do galícia perdi um irmão no dia 201\12 e venho recebendo forças de varias pessoas um abraço a toda sua família.
Meus sentimentos à familia enlutada
HEITOR
Com muito pesar recebi essa notícia pois tive o grande prezer de conhecer a admirar o sr. Manuel. Meus sentimentos mais uma vez a família.
Bjs em seus corações e fiquem com Deus.
Agradeço de coração pela homenagem, que me faz ter mais orgulho ainda do meu bisavô, por ter sido além da pessoa inesquecível, especial, meu antecedente e inspirador, realizador de feitos históricos, como a participação na fundação deste clube forte da Bahia, “Demolidor de Campeões” que agora farei questão de conheçer mais a fundo, e desde já viro mais um torçedor…
Saudosamente, Ricardo Guerra, São Paulo…