Na comunidade do Vitória no Orkut, foi postado um vídeo com um resumo do jogo Vitória 1 x 0 Galícia, disputado em 30/07/1995 (clique no vídeo para dar play). Estava em jogo o título do Campeonato Baiano de 1995.
Eu também estive lá no Barradão naquele fatídico dia. Fui com meu irmão e sua namorada na época. Mas não fomos com camisa do Galícia com medo de ter confusão.
Pegamos um ônibus não muito cheio no Campo Grande até a Estação Nova Esperança (era assim que se chamava na época?), prá lá fazer o transbordo pro Barradão, onde íamos pela primeira vez. No ônibus, encontramos um torcedor galiciano emperiquitado de azul dos pés à cabeça, com buzina, chapéu e o escambau, fazendo a maior zoeira. Aí o cara viu que éramos também do Galícia e se juntou a nós.
Ficamos preocupados, porque ao chegarmos na Estação N. Esperança, havia um mar de camisas rubro-negras, a única camisa do Galícia era a do nosso novo “amigo”! Lá, entramos num ônibus entupido até o talo de torcedor do Vitória, mas o nosso companheiro não tava nem aí, entrou fazendo o maior barulho e tocando a bendita corneta! Eu pensei: “ferrou agora! Vamos apanhar aqui”.
Aí um torcedor do Vitória se enfezou e gritou prá gente, querendo briga: “ô, rapaz, torcedor do Galícia aqui nesse ônibus não entra não, vai descer tudo!!!”. Então, nos preparamos para o pior.
Mas aí o resto da galera reagiu prontamente e mandou essa: “que é isso rapaz! Eles não são torcedores do Bahia não! São do Galícia! Galícia é corrente! Deixe os galicianos em paz aí!”
E assim não tivemos que sair, e o ônibus foi em paz até o Barradão, com o azulino simpático tocando corneta e tudo, fazendo a festa junto com a torcida do Vitória.
No Barradão, enfrentavam-se os dois melhores times daquele ano. O Vitória de Ramon havia vencido 28 dos seus 41 jogos, fazendo 65 pontos e 79 gols até então, com apenas quatro derrotas (duas delas contra o próprio Galícia). Havia vencido as duas fases do Primeiro Turno, e já tinha faturado também a Primeira Fase do Segundo Turno.
Já o Galícia de Washington tinha a segunda melhor campanha, com 16 vitórias em 33 jogos, 44 pontos e 49 gols marcados. Mas o melhor mesmo da temporada Azulina era o seu retrospecto inesquecível naquele ano contra o Bahia, convertido literalmente em freguês: em seis jogos contra o Tricolor no campeonato de 1995, foram cinco vitórias do Galícia (3×0, 2×0, 1×0, 1×0, 2×1) e um empate (0×0). O clube podia até mesmo não levar o título, mas somente aquilo já tinha deixado uma satisfação incrível no torcedor azulino!
O jogo decidiria o triangular final da Segunda Fase do Segundo Turno. Tanto Galícia como Vitória já tinham vencido seus jogos contra a Catuense, ambos por 3×0. O Galícia precisava sair vencedor para levar para casa a Segunda Fase e assim forçar uma decisão do Segundo Turno contra o próprio Vitória. Se ainda por cima ganhasse o Segundo Turno, faria a final do Campeonato, mais uma vez contra o Vitória. Já o Rubro-negro queria encerrar ali mesmo a fatura.
O jogo foi bastante polêmico, com muitas reclamações sobre a arbitragem por parte de dirigente e jogadores azulinos. O placar foi de 1×0 para os rubro-negros, mas pena mesmo foi que ao final o gramado do Barradão viu desenrolar-se uma autêntica batalha campal entre jogadores e dirigentes, um espetáculo deprimente para não ser repetido. Pena que não tenham se espelhado na cortesia e tranquilidade compartilhadas pelos torcedores azulinos e rubro-negros no nosso ônibus, horas antes.
Tapas e pontapés à parte, o resultado deu ao rubro-negro o título do segundo turno e, consequentemente, do Campeonato Baiano de 1995. Foi o primeiro de três títulos em série do Vitória, no que seria seu primeiro e tão sonhado tricampeonato (95/96/97). Ironia ou coincidência do destino, a arrancada do primeiro tri baiano do Vitória foi justamente contra o Galícia, o primeiro clube a ser tricampeão baiano (41/42/43).
É também irônico que os destinos dos dois clubes de lá para cá tenham sido opostos: por um lado, o Vitória tem vivido desde então um período dominador em que está tudo azul (a cor do Galícia!) para ele no futebol baiano, conquistando 12 títulos em 15 temporadas.
Já para o Galícia, o vice-campeonato foi o último grande momento do clube, que entrou em um período negro (uma das cores do Vitória!): exceto pelo terceiro lugar em 1997, passou a colecionar resultados pífios na competição, até ser rebaixado em 1999, passar um período sem nem mesmo disputar o Campeonato Baiano e retornar em 2006 à Segunda Divisão, onde luta até hoje para voltar à elite.
E para quem gosta de coincidências, olhem uma outra aí: no vídeo do jogo dá para ver as faixas de duas tradicionais torcidas organizadas dos dois clubes: pelo Vitória, a União Rubro-Negra, e pelo Galícia, a União Galiciana. É curioso que, agora, depois de quase 15 anos, Galícia e Vitória estejam unidos em uma parceria cujo principal objetivo é reerguer o Azulino. É a autêntica União Rubro-Negra-Galiciana. Como a vida dá voltas!!!
Para relembrar as campanhas e resultados daquele campeonato memorável, tanto para o Vitória como para o Galícia, clique aqui.
E você, torcedor rubro-negro ou galiciano, esteve no Barradão naquele dia? Deixe o seu comentário contando como foi.











Excelente artigo, Beto, meus parabéns! eu estava lá, mas também não fui com camisa do Galícia.
O time do Galícia que jogou a final foi Hércules; Jorginho, Augusto, Sívio e Missinho; Cristiano, Gildo e Carlinhos Maringá; Edvaldo, Rocha e Gláucio. Além destes, o elenco ainda tinha o grande centrovante Washington (ex-Fluminense do Rio e seleção brasileira), o volante Jeferson Douglas, que jogou no Cruzeiro, no Botafogo e no Santos e o ponta esquerda Cley, que depois fez sucesso pelo norte do país.
Destes jogadores que estavam em campo, Glaúcio, que foi escolhido o melhor jogador do campeonato, foi para o Santos. O zagueiro Augusto foi para a Portuguesa. Cristiano foi para o próprio Vitória. Carlinhos Maringá e Hércules eram jogadores experientes do futebol catarinense. Rocha foi para São Paulo. Era um timaço.
O resultado de Vitória do rubro-negro foi uma grande injustiça. Injustiça pq o Galícia jogou melhor e injustiça pq a arbitragem claramente prejudicou o Galícia, deixando de marcar um pênalti claro sobre Sílvio e inventando uma falta na ponta esquerda, que resultou no gol do Vitória. Podem ver no vídeo que não houve falta nenhuma, pelo contrário, foi o jogador do Vitória quem empurrou Maringá.
Porém, o título do Vitória foi justo. Para o Galícia ser campeão, teria que ter empatado (e não vencido) esta partida, pois tinha melhor campanha na 2ª fase do 2º turno. Depois, para ser campeão, ainda precisaria vencer o Vitória novamente em mais 2 decisões. Assim, o time do Vitória era ÓTIMO e certamente seria o campeão. Mas não daquela forma nem naquela partida, e sim na próxima disputa.
Abraços
Duda
Show de bola reviver esse tempo ai, “emperiquitado” hehe nunca mais ouvi essa palavra rs. Um abraço!!
Eduardo só esqueceu de citar que Augusto deveria ser expulso pela entrada criminosa com 1:33 de vídeo….
Prezados Amigos,
grandes tempos, que saudades da Bahia. Era realmente um grande time som o comando de Natanael Ferreira. Tenho a foto deste time, se quiserem é só pedir.
Atenciosamente,
Jefferson Douglas.