26 de junho de 2009

1995 - A Batalha do Barradão

Na comunidade do Vitória no Orkut, foi postado um vídeo com um resumo do jogo Vitória 1 x 0 Galícia, disputado em 30/07/1995 (clique no vídeo para dar play). Estava em jogo o título do Campeonato Baiano de 1995.

Eu também estive lá no Barradão naquele fatídico dia. Fui com meu irmão e sua namorada na época. Mas não fomos com camisa do Galícia com medo de ter confusão.

Pegamos um ônibus não muito cheio no Campo Grande até a Estação Nova Esperança (era assim que se chamava na época?), prá lá fazer o transbordo pro Barradão, onde íamos pela primeira vez. No ônibus, encontramos um torcedor galiciano emperiquitado de azul dos pés à cabeça, com buzina, chapéu e o escambau, fazendo a maior zoeira. Aí o cara viu que éramos também do Galícia e se juntou a nós.

Ficamos preocupados, porque ao chegarmos na Estação N. Esperança, havia um mar de camisas rubro-negras, a única camisa do Galícia era a do nosso novo “amigo”! Lá, entramos num ônibus entupido até o talo de torcedor do Vitória, mas o nosso companheiro não tava nem aí, entrou fazendo o maior barulho e tocando a bendita corneta! Eu pensei: “ferrou agora! Vamos apanhar aqui”.  :)

Aí um torcedor do Vitória se enfezou e gritou prá gente, querendo briga: “ô, rapaz, torcedor do Galícia aqui nesse ônibus não entra não, vai descer tudo!!!”. Então, nos preparamos para o pior.

Mas aí o resto da galera reagiu prontamente e mandou essa: “que é isso rapaz! Eles não são torcedores do Bahia não! São do Galícia! Galícia é corrente! Deixe os galicianos em paz aí!”

E assim não tivemos que sair, e o ônibus foi em paz até o Barradão, com o azulino simpático tocando corneta e tudo, fazendo a festa junto com a torcida do Vitória.

No Barradão, enfrentavam-se os dois melhores times daquele ano. O Vitória de Ramon havia vencido 28 dos seus 41 jogos, fazendo 65 pontos e 79 gols até então, com apenas quatro derrotas (duas delas contra o próprio Galícia). Havia vencido as duas fases do Primeiro Turno, e já tinha faturado também a Primeira Fase do Segundo Turno.

Já o Galícia de Washington tinha a segunda melhor campanha, com 16 vitórias em 33 jogos, 44 pontos e 49 gols  marcados. Mas o melhor mesmo da temporada Azulina era o seu retrospecto inesquecível naquele ano contra o Bahia, convertido literalmente em freguês: em seis jogos contra o Tricolor no campeonato de 1995, foram cinco vitórias do Galícia  (3×0, 2×0, 1×0, 1×0, 2×1) e um empate (0×0). O clube podia até mesmo não levar o título, mas somente aquilo já tinha deixado uma satisfação incrível no torcedor azulino!

O jogo decidiria o triangular final da Segunda Fase do Segundo Turno. Tanto Galícia como Vitória já tinham vencido seus jogos contra a Catuense, ambos por 3×0. O Galícia precisava sair vencedor para levar para casa a Segunda Fase e assim forçar uma decisão do Segundo Turno contra o próprio Vitória. Se ainda por cima ganhasse o Segundo Turno, faria a final do Campeonato, mais uma vez contra o Vitória. Já o Rubro-negro queria encerrar ali mesmo a fatura.

O jogo foi bastante polêmico, com muitas reclamações sobre a arbitragem por parte de dirigente e jogadores azulinos. O placar foi de 1×0 para os rubro-negros, mas pena mesmo foi que ao final o gramado do Barradão viu desenrolar-se  uma autêntica batalha campal entre jogadores e dirigentes, um espetáculo deprimente para não ser repetido. Pena que não tenham se espelhado na cortesia e tranquilidade compartilhadas pelos torcedores azulinos e rubro-negros no nosso ônibus, horas antes.

Tapas e pontapés à parte, o resultado deu ao rubro-negro o título do segundo turno e, consequentemente, do Campeonato Baiano de 1995. Foi o primeiro de três títulos em série do Vitória, no que seria seu primeiro e tão sonhado tricampeonato (95/96/97). Ironia ou coincidência do destino, a arrancada do primeiro tri baiano do Vitória foi justamente contra o Galícia, o primeiro clube a ser tricampeão baiano (41/42/43).

É também irônico que os destinos dos dois clubes de lá para cá tenham sido opostos: por um lado, o Vitória tem vivido desde então um período dominador em que está tudo azul (a cor do Galícia!) para ele no futebol baiano, conquistando 12 títulos em 15 temporadas.

Já para o Galícia, o vice-campeonato foi o último grande momento do clube, que entrou em um período negro (uma das cores do Vitória!): exceto pelo terceiro lugar em 1997, passou a colecionar  resultados pífios na competição, até ser rebaixado em 1999, passar um período sem nem mesmo disputar o Campeonato Baiano e retornar em 2006 à Segunda Divisão, onde luta até hoje para voltar à elite.

E para quem gosta de coincidências, olhem uma outra aí: no vídeo do jogo dá para ver as faixas de duas tradicionais torcidas organizadas dos dois clubes: pelo Vitória, a União Rubro-Negra, e pelo Galícia, a União Galiciana.  É curioso que, agora, depois de quase 15 anos, Galícia e Vitória estejam unidos em uma parceria cujo principal objetivo é reerguer o Azulino. É a autêntica União Rubro-Negra-Galiciana. Como a vida dá voltas!!!

Para relembrar as campanhas  e resultados daquele campeonato memorável, tanto para o Vitória como para o Galícia, clique aqui.

E você, torcedor rubro-negro ou galiciano, esteve no Barradão naquele dia? Deixe o seu comentário contando como foi.

4 comentários para 1995 - A Batalha do Barradão

  • Eduardo Matta

    Excelente artigo, Beto, meus parabéns! eu estava lá, mas também não fui com camisa do Galícia. :-)

    O time do Galícia que jogou a final foi Hércules; Jorginho, Augusto, Sívio e Missinho; Cristiano, Gildo e Carlinhos Maringá; Edvaldo, Rocha e Gláucio. Além destes, o elenco ainda tinha o grande centrovante Washington (ex-Fluminense do Rio e seleção brasileira), o volante Jeferson Douglas, que jogou no Cruzeiro, no Botafogo e no Santos e o ponta esquerda Cley, que depois fez sucesso pelo norte do país.

    Destes jogadores que estavam em campo, Glaúcio, que foi escolhido o melhor jogador do campeonato, foi para o Santos. O zagueiro Augusto foi para a Portuguesa. Cristiano foi para o próprio Vitória. Carlinhos Maringá e Hércules eram jogadores experientes do futebol catarinense. Rocha foi para São Paulo. Era um timaço.

    O resultado de Vitória do rubro-negro foi uma grande injustiça. Injustiça pq o Galícia jogou melhor e injustiça pq a arbitragem claramente prejudicou o Galícia, deixando de marcar um pênalti claro sobre Sílvio e inventando uma falta na ponta esquerda, que resultou no gol do Vitória. Podem ver no vídeo que não houve falta nenhuma, pelo contrário, foi o jogador do Vitória quem empurrou Maringá.

    Porém, o título do Vitória foi justo. Para o Galícia ser campeão, teria que ter empatado (e não vencido) esta partida, pois tinha melhor campanha na 2ª fase do 2º turno. Depois, para ser campeão, ainda precisaria vencer o Vitória novamente em mais 2 decisões. Assim, o time do Vitória era ÓTIMO e certamente seria o campeão. Mas não daquela forma nem naquela partida, e sim na próxima disputa.

    Abraços

    Duda

  • Show de bola reviver esse tempo ai, “emperiquitado” hehe nunca mais ouvi essa palavra rs. Um abraço!!

  • Mauro

    Eduardo só esqueceu de citar que Augusto deveria ser expulso pela entrada criminosa com 1:33 de vídeo….

  • Jefferson Douglas

    Prezados Amigos,

    grandes tempos, que saudades da Bahia. Era realmente um grande time som o comando de Natanael Ferreira. Tenho a foto deste time, se quiserem é só pedir.

    Atenciosamente,

    Jefferson Douglas.

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