Meu amigo Walter Hupsel, torcedor do Bahia e simpatizante do Granadeiro, me deu o toque: na edição da última terça-feira (04/03) da Folha de São Paulo, o cineasta, jornalista e escritor (não necessariamente nessa ordem) José Roberto Torero (que, além de ser meu xará, tem também sobrenome espanhol), no seu artigo “Micos-leões dourados”, cita o Galícia como um dos tradicionais clubes nacionais que, apesar de sua respeitável história e tradição, correm o risco de desaparecer.
Para Torero, clubes como o Galícia, América-MG, São Cristóvão-RJ (do nosso amigo e colaborador Raymundo Quadros) e o também baiano Ypiranga seriam como o mico-leão-dourado: simpáticos, mas ameaçados de extinção. Em comum entre todos eles, o fato de terem tido seus momentos de glória no passado, mas estarem, já há alguns anos, amargando o ostracismo das divisões inferiores.
Torero cita o caso do Galícia:
Na Bahia, por exemplo, temos o Galícia, time fundado por imigrantes espanhóis e que ganhou cinco Estaduais e nove vices. Ou seja, é um time com história respeitável. E revelou jogadores como o lateral-direito Toninho, da seleção de Cláudio Coutinho, e os atacantes Washington e Oséas.
Mas em 1999 o Galícia caiu para a segunda divisão e acabou desativando o departamento de futebol. Voltou apenas em 2006. No ano passado, entre os seis clubes que disputaram a segunda divisão baiana, ficou em segundo lugar. Dolorosamente, só o campeão subia.
(O artigo completo pode ser lido aqui – só para assinantes da Folha e do UOL)
É bom ver que o Azulino está reaparecendo na mídia, mesmo que não seja ainda pelas razões mais nobres – lembremos que, no ano passado, a polêmica da Segunda Divisão baiana levou o Galícia às principais televisões e jornais do Brasil (reveja na seção Mídia e Internet as notícias publicadas entre setembro e novembro de 2007, inclusive as matérias do Jornal Nacional e Globo Esporte).
Isto não deixa de ser uma boa notícia para os patrocinadores, afinal, não é todo dia que clubes pequenos e nordestinos são citados nos grandes jornais do circuito Rio-São Paulo.
Obrigado a Torero por lembrar do Galícia, que, de fato, é considerado um dos clubes mais simpáticos da Bahia. Mas ele deve saber que o clube ainda está vivo, e prova disso é o fato de ter levado cinco mil pessoas à Fonte Nova na final da Segunda Divisão 2007! Também a criação da ATAG, em 2006, demonstra que a torcida azulina não morreu, muito pelo contrário, está colaborando ativamente nessa nova fase.
Além disso, as divisões de base do Granadeiro continuam revelando talentos, como a jovem promessa Diego Higino, artilheiro em quase todas as competições que disputou, emprestado ao América de Natal em janeiro e que tem tudo para brilhar na Série B deste ano.
Enfim, artigos como esse são mais um incentivo para a Diretoria continuar trabalhando duro no processo de restruturação do clube e levar o Galícia de volta à Primeira Divisão Baiana o mais rapidamente possível. Se no ano passado nos escapou por um triz, não podemos perder a chance em 2008 – mesmo tendo que lutar novamente (além de dolorosa e absurdamente – obrigado, FBF!) por apenas UMA vaga de acesso!
Somente assim poderemos sair da categoria de “clube simpático ameaçado de extinção” e voltar a ostentar, orgulhosos, o título “Demolidor de Campeões”.
Em tempo: não sei se Torero sabe, mas o seu colega de redação da Folha, Rodrigo Bueno, tem um forte vínculo afetivo com o Galícia – seu avô, Manuel Guerra, chegou a atuar como goleiro nas primeiras partidas do Azulino baiano – para saber mais, leia o perfil de Rodrigo aqui mesmo no site.
Leia também:



o futebol bahiano perdeu muinto, com a falta destes clubes
-galicia, ipiranga, etc tinha certa tratição e rivalidade.
atraia mais torcida aos estadios. culpa tambem da nossa
federação que nao faz nada para que este times volte
a primeira divisao.