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19/10/2005 | 2 comentários

Canto Galego


Esta foi uma série de reportagens publicadas pelo Correio da Bahia em maio de 2004, falando sobre a imigração espanhola na Bahia, proveniente principalmente da Galícia. Como não poderia deixar de ser, fala-se do Galícia e de sua história. Reproduzo aqui um trecho interessante sobre o clube.

Desde que o Galícia Esporte Clube foi fundado, em 1933, quase todos os domingos os que gostavam de futebol tinham um compromisso importantíssimo: ver o time jogar. Quando questionado pela reportagem sobre a história da imigração da família para a Bahia, com voz mansa, o arquiteto Afonso Baqueiro Rios, 75 anos, vai logo dizendo: “Meu pai contava, mas não lembro de mais nada, pergunte para o meu irmão que ele sabe. A nossa diferença de idade é de apenas um ano, mas ele tem uma memória!”. Se a memória é curta para lembrar de determinados acontecimentos do passado, quando o assunto é o Galícia Futebol Clube, seu Afonso não titubeia na hora de fazer a escalação da equipe que considerou uma das melhores. Apesar da emoção em relembrar os tempos áureos do Galícia, o timbre de voz continua baixo e assim como um técnico que faz a escalação para uma grande decisão de campeonato, ele cita os nomes dos craques: Nova, Carapiau, Daruana, Nevezinho, Ferreira, Paumer, Lôro, Curto, Palito, Novinha e Isaltino. Ainda pequeno, vestia a camisa e ia torcer pelo time. “Eram os empregados do armazém de meu pai que me levavam para ver o jogo. A gente assistia ao futebol no estádio Artur Moraes do telhado do Café Rio Branco, lá na Graça”, recorda. Anos mais tarde, aquele pequeno apaixonado torcedor ocuparia a cadeira da presidência do clube e a filha era uma das organizadoras da torcida Supergal. Mônica Leiro Baqueiro cresceu ouvindo resenhas esportivas e a paixão do pai pelo esporte era tanta que ela e os dois irmãos acabaram também bastante envolvidos. Eles não perdiam os jogos do Galícia. Até mesmo quando o time ia jogar no interior do estado, lá estavam eles bradando nas arquibancadas. “No início dos anos 80, acabamos criando um grupo de entusiastas do Galícia. Estávamos presentes em todos os jogos e ainda saíamos em caravana pelo interior. A torcida era pequena comparada à do Bahia e à do Vitória, então procurávamos nos destacar com a faixa”, conta, lembrando que gritava com o juiz, esbravejava, dava entrevistas. Como uma das líderes da Supergal, fazia tudo como manda o figurino. E onde quer que fosse, quando o time entrava em campo com o uniforme azul e branco com um emblema de Santiago, lá estavam os galegos e os seus descendentes vibrando por mais uma vitória.

Clique aqui, na imagem ou no título do texto para ver a reportagem completa.

2 comments to Canto Galego

  • xávi

    Um saúdo de um galego da Corunha ;)

    Em correcto galego-português o nome do nosso país é Galiza, mas bom AUPA! :D

  • [...] Ledo engano: O Porriño fica a 300 km ao sul daquele ponto, ao lado de Vigo, que, por sinal, é a região de origem de muitos dos espanhóis que imigraram para o Brasil durante a primeira  metade do século XX – uma imigração tão intensa e pujante que resultou até mesmo na criação de um tradicional clube de futebol baiano, o Galícia, de Salvador (mas isto já é outra interessante história, clique aqui para saber mais) [...]

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